✴️ Exposição sobre a História do Pensamento Econômico na Biblioteca da FEA-USP


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Obras dos grandes pensadores da economia – como Adam Smith e Karl Marx – e os principais movimentos que buscaram promover as riquezas das sociedades podem ser explorados na exposição Uma Viagem pela História do Pensamento Econômico: A Biblioteca Delfim Netto, em cartaz na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP até março de 2024, que pode ser visitada também de forma virtual, através do site da mostra.

A exposição é composta de seis vitrines, onde estão expostos 150 livros selecionados dentre os 100 mil volumes da biblioteca do Professor Emérito da FEA Delfim Netto, doados à faculdade em 2011. As obras foram divididas em 12 temas ligados à economia, desde as primeiras reflexões sobre essa área do conhecimento, que remontam à Idade Média e à Grécia antiga, até o pensamento econômico contemporâneo.

A história do pensamento econômico é um campo rico e dinâmico que reflete as transformações sociais, políticas e culturais de cada época. Desde a Antiguidade até os dias atuais, as teorias econômicas evoluíram, influenciadas por contextos diversos e por pensadores que buscavam entender as complexidades da produção, distribuição e consumo de bens e serviços. Este trabalho busca apresentar as principais correntes do pensamento econômico, destacando suas características, contribuições e inter-relações ao longo da história.

O mercantilismo, que predominou entre os séculos XVI e XVIII, foi uma das primeiras escolas de pensamento econômico. Essa corrente enfatizava a importância do estado na regulación das atividades econômicas, defendendo que a riqueza de uma nação era medida pela quantidade de metais preciosos que possuía. Os mercantilistas argumentavam que a intervenção do governo era essencial para garantir superávits comerciais e promover a formação de colônias. Essa abordagem estava diretamente ligada ao nacionalismo econômico, buscando fortalecer a concorrência entre nações.

O liberalismo clássico emergiu no final do século XVIII e início do século XIX, com pensadores como Adam Smith, David Ricardo e John Stuart Mill. Smith, em sua obra “A Riqueza das Nações”, introduziu o conceito da “mão invisível”, defendendo que, ao buscarem seu próprio interesse, os indivíduos promovem involuntariamente o bem-estar coletivo. O liberalismo clássico estabeleceu os fundamentos da economia de mercado, defendendo o livre comércio, a livre concorrência e minimizando a intervenção do estado. Essa escola considera o mercado como o mecanismo mais eficiente para alocação de recursos.

Em contraponto ao liberalismo, o socialismo, que ganhou força no século XIX, surgiu como uma resposta às desigualdades geradas pela Revolução Industrial. Pensadores como Karl Marx e Friedrich Engels criticarão a exploração do trabalhador pelo sistema capitalista e propuseram uma alternativa na qual os meios de produção seriam coletivizados. O socialismo enfatiza a justiça social e a igualdade, defendendo que a riqueza deve ser repartida de maneira equitativa entre todos os membros da sociedade. Marx, em particular, desenvolveu uma análise aprofundada do modo como o capitalismo se estruturava, prevendo sua eventual superação por um sistema socialista.

No final do século XIX, a economia neoclássica começou a se consolidar, com figuras como Alfred Marshall e William Stanley Jevons. Essa escola introduziu a análise marginal, focando na utilidade e na produção marginal, para entender como os consumidores e produtores tomam decisões. A economia neoclássica enfatiza a importância do equilíbrio de mercado e a eficiência alocativa, estabelecendo conceitos como a oferta e a demanda, que se tornaram fundamentais na análise econômica contemporânea.

Durante a Grande Depressão da década de 1930, John Maynard Keynes revolucionou o pensamento econômico ao argumentar que os mercados não se auto-regulavam como postulavam os neoclássicos. Em sua obra “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, Keynes propôs a ideia de que a intervenção governamental era necessária para estabilizar a economia, especialmente em tempos de recessão. Ele enfatizou o papel da demanda agregada e defendia políticas fiscais e monetárias ativas para estimular a economia e reduzir o desemprego.

Nas últimas décadas, o pensamento econômico continuou a se diversificar. A escola austríaca, representada por figuras como Friedrich Hayek e Ludwig von Mises, defende o livre mercado e critica fortemente a intervenção estatal. A nova economia clássica, influenciada por Robert Lucas, trouxe à tona a importância das expectativas racionais e a análise em períodos intertemporais. Por outro lado, a teoria da escolha pública, desenvolvida por James Buchanan e Gordon Tullock, focou na análise econômica das decisões políticas, que frequentemente são influenciadas por interesses individuais em vez do bem comum.

A história do pensamento econômico é um testemunho das incessantes tentativas da humanidade de compreender e organizar sua atividade econômica. Cada uma das correntes estudadas, embora distinta em seus princípios e abordagens, contribuiu para a construção de um conhecimento mais robusto e fundamentado sobre a dinâmica econômica. Hoje, essa diversidade de ideias continua a ser vital para enfrentarmos os desafios econômicos contemporâneos, resultando em um debate fértil que enriquecerá as futuras gerações de economistas. A capacidade de dialogar entre diferentes perspectivas é, sem dúvida, um patrimônio valioso no campo da economia.

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Publicado por Adami Campos

Adami Campos é Advogado e Professor.

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